Apostas em Portugal no Contexto Europeu: Comparação de Mercados, Regulação e Eficiência

Comparação do mercado de apostas em Portugal com outros países europeus em volume e regulação

Portugal tem um dos mercados de apostas online mais ativos da Europa per capita — mas poucos sabem porque isso importa

Há uma comparação que me ficou na cabeça desde que a li pela primeira vez, e que uso frequentemente para contextualizar o mercado português: Portugal e a Suécia têm populações muito semelhantes — ambos em torno dos dez milhões de habitantes. O mercado sueco de apostas gerou 2,24 mil milhões de euros em receita bruta em 2023, enquanto o português gerou 658 milhões no mesmo ano. Ou seja, o mercado sueco é mais de três vezes maior, per capita, do que o português. O que é que a Suécia faz diferente? Essencialmente, tem um mercado ilegal muito mais controlado e um produto licenciado mais competitivo.

Esta comparação não é académica para quem aposta em Portugal. As diferenças entre mercados europeus têm implicações diretas nas odds disponíveis, na eficiência dos mercados locais e no desenvolvimento do produto pelos operadores.

O mercado europeu de apostas em números: onde Portugal se posiciona

O mercado europeu total de gambling — online e presencial — atingiu 123,4 mil milhões de euros em 2024, um crescimento de 5% face a 2023. O segmento online representou 39% desse total, com 47,9 mil milhões de euros, e deverá ultrapassar os 40% de quota em 2025, segundo as projeções da EGBA. As apostas desportivas especificamente geraram 49,4 mil milhões de USD em receitas em 2024 e deverão crescer a um CAGR de 10,6% até 2030, atingindo 89,8 mil milhões de USD.

Neste contexto, Portugal é um mercado médio-pequeno em termos absolutos, mas com uma taxa de penetração per capita acima da média europeia. O volume de 2.053,2 milhões de euros em apostas desportivas em 2024 coloca Portugal entre os mercados com maior atividade relativa — muito acima do que o tamanho da população justificaria em comparação com mercados como a Alemanha ou a Polónia.

Maarten Haijer, secretário-geral da EGBA, descreveu o momento do mercado europeu em março de 2025: o online está a crescer mais rapidamente do que o presencial, e o mobile é o principal motor desse crescimento. Em Portugal, esta tendência é ainda mais acentuada do que a média europeia — o país tem uma das taxas de penetração de smartphones mais altas da Europa, o que facilita a transição para apostas mobile.

Modelos de regulação europeus: Portugal vs Suécia, Espanha e França

A comparação de modelos de regulação é um exercício que os analistas do setor fazem regularmente, e as conclusões são consistentes: os mercados com maior quota de apostas no canal licenciado são aqueles onde o produto legal é mais competitivo e o mercado ilegal é mais restringido.

A Suécia reimplementou a regulação das apostas em 2019 com um modelo de licenciamento aberto semelhante ao português, mas com taxas de imposto mais altas e medidas de proteção do jogador mais restritivas — incluindo limites de bónus legalmente definidos. O resultado foi uma quota de mercado legal muito superior à portuguesa, com menos de 10% de apostadores em plataformas ilegais.

A Espanha tem um modelo similar ao português em termos de licenciamento, com um mercado licenciado robusto mas com uma taxa de apostadores ilegais que as autoridades espanholas estimam em 25 a 30% — inferior à portuguesa mas ainda significativa. A Espanha apostou recentemente em medidas mais agressivas de bloqueio de sites ilegais e de regulação de publicidade, com impacto mensurável na quota do mercado legal.

A França tem um modelo diferente: o licenciamento existe mas com taxas de imposto muito mais altas do que Portugal, o que resulta em odds menos competitivas no mercado legal e num mercado ilegal proporcionalmente grande. O modelo francês é frequentemente citado como exemplo do que não fazer — tributação excessiva do produto legal que empurra os apostadores para o ilegal.

Portugal está entre estes extremos: tributação razoável (IEJO de 8% sobre volume), odds competitivas no mercado legal, mas com uma taxa de mercado ilegal de 40% que é das mais altas da Europa ocidental. A principal razão apontada pela APAJO é a insuficiente dificuldade de acesso ao mercado ilegal — os sites ilegais são facilmente acessíveis, com processos de pagamento funcionais e pouca fricção para o apostador.

Tendências europeias que vão chegar a Portugal

Acompanhando o que acontece noutros mercados europeus, identifico três tendências que deverão ter impacto em Portugal nos próximos dois a três anos.

A primeira é a regulação mais agressiva da publicidade de apostas. Itália proibiu completamente a publicidade de apostas em 2019. Espanha restringiu fortemente os horários e os formatos. Em Portugal, a regulação atual permite publicidade com algumas restrições, mas a pressão política e social para apertar estas regras é crescente, especialmente após os dados sobre apostas entre jovens. Uma alteração neste sentido teria impacto nos volumes de novos registos.

A segunda é o desenvolvimento de sistemas interoperáveis de proteção do jogador. O modelo sueco de registo centralizado de exclusão, integrado com sistemas de verificação de idoneidade, é mais robusto do que o REJE português atual. Portugal tem a base — o REJE existe e funciona — mas a integração com sistemas de identificação digital poderia torná-lo mais eficaz.

A terceira é a regulação específica dos esports e das apostas em eventos virtuais. Vários mercados europeus estão a desenvolver enquadramentos específicos para estas categorias, que têm crescido mais rapidamente do que a regulação existente consegue acompanhar.

O que o contexto europeu significa para o apostador português em 2026

Para quem aposta em Portugal, o contexto europeu tem uma implicação prática direta: os operadores que operam em múltiplos mercados europeus têm incentivos para harmonizar as suas ofertas. Odds que são muito competitivas num mercado europeu tendem a ser replicadas noutros mercados, especialmente nos jogos de alta liquidez como a Champions League e os Grand Slams de ténis. A integração europeia do mercado beneficia o apostador português ao elevar o standard de competitividade das odds disponíveis.

A eficiência dos mercados de apostas está em crescimento em toda a Europa, impulsionada pela adoção de modelos de precificação baseados em inteligência artificial e pelo aumento de liquidez. Em Portugal, este processo é visível nas odds dos jogos da Liga Portugal e da Champions League, que são hoje mais eficientes do que eram há cinco anos. Para o apostador analítico, isto significa que a especialização em competições específicas é cada vez mais a única forma sustentável de manter edge num mercado de odds progressivamente mais sofisticadas.

Um dado que sintetiza bem a posição de Portugal no mapa europeu: o mercado de apostas desportivas europeu deverá crescer de 49,4 mil milhões de USD em 2024 para 89,8 mil milhões de USD em 2030 — e Portugal cresce dentro desta tendência. A questão é se esse crescimento vai ser capturado pelo mercado licenciado ou continuará a vazar para o mercado ilegal. A resposta vai determinar a competitividade do produto legal português nos próximos anos. Para uma visão completa do mercado português, incluindo os dados mais recentes sobre volume, regulação e perfil de apostadores, o guia de apostas desportivas em Portugal reúne os fundamentos com detalhe e fontes primárias.

Portugal é um dos países europeus com maior penetração de apostas online?

Sim, em termos per capita Portugal tem uma taxa de penetração de apostas online acima da média europeia. O volume de 2.053,2 milhões de euros em apostas desportivas em 2024, numa população de cerca de 10 milhões, é indicativo de uma penetração elevada. Em termos absolutos, é um mercado médio-pequeno no contexto europeu.

O modelo de regulação português é mais restritivo do que o europeu?

O modelo português é moderadamente restritivo — com licenciamento obrigatório, tributação razoável e obrigações de jogo responsável. É menos restritivo do que a Suécia em termos de proteção do jogador, e menos permissivo do que alguns mercados do leste europeu. A principal fraqueza identificada é a insuficiente dificuldade de acesso ao mercado ilegal, que ainda absorve 40% dos apostadores.

Created by the "Apostas Desportivas Tips" editorial team.

Prognósticos de Futebol com Estatísticas: Guia de Análise de Dados | TipVerde

Como usar estatísticas reais para fundamentar prognósticos de futebol: xG, posse de bola, remates e…

Gestão de Banca em Apostas Desportivas: Métodos e Regras 2025 | TipVerde

Guia completo de bankroll management para apostadores portugueses. Percentagem fixa, Kelly Criterion e as regras…

Jogo Responsável em Apostas Desportivas: Ferramentas e Sinais de Alerta | TipVerde

Ferramentas de jogo responsável disponíveis em Portugal, sinais de comportamento problemático e como usar a…

Tips Premier League: Análise e Mercados com Valor 2025 | TipVerde

Tips de apostas para a Premier League com análise de mercados, odds comparativas e os…

Como Comparar Odds entre Bookmakers em Portugal: Guia Prático | TipVerde

Como comparar odds entre os bookmakers licenciados em Portugal para encontrar as melhores cotações. Ferramentas,…